quinta-feira, 19 de março de 2009

Terror


A fria madrugada ocupava o meu quarto,
Deitado na poltrona, um medo abate-se sobre mim,
Subitamente um andar, seco e pesado,
Ecoa no meu estrado,
Disse: Quem ousa perturbar o meu descanso?
Um bater leve na porta do meu quarto
Despertou o meu olhar e fez-me imaginar
No que deveria dizer, fazer,
Para poder enfrentar este terror elementar.

Outro bater, desta vez forte e poderoso,
Um terror cresce no meu retrato
Antagónico horror vigoroso,
Leva-me a murmurar: Quem está à porta do meu quarto?
Caro senhor desculpe o atraso,
Mas estava a viajar pelo imaginário.

Como um felino caminho em direcção à porta
Receosamente abro-a e vejo que não há ninguém,
Aliviado volto para o calor do meu quarto
E descanso como nunca desde o parto.

Fico assim, singular e perdido,
Na solidão eterna do meu quarto,
Não posso viver sorrindo,
Apenas posso morrer chorando.

Baseado no poema Raven de Edgar Alan Poe.

3 comentários:

Daniel Silva disse...

A imagem é apelativa e cativante.

A tua ode é um retorno uterino. Gostei.

Abraços

Xuxy disse...

Estou há que tempos para ler Edgar Alan Poe mas ainda não tive oportunidade!
Gostei do poema, tem algo de obscuro que é como eu gosto =oP!
Bjs

Cotovia disse...

...triste, mas cheio de emoção!


Obrigada pela visita.