Esta é a história de 6 anos da minha vida... decidi compartilhá-la porque este blog e quem o lê, intencionalmente ou não, é parte integrante desse tempo e, como tudo o que está aqui é sincero, senti que devia, pela minha filosofia, escrever à mão estes meus singelos sentimentos.
Tudo começou quando me perguntei o porquê de não namorar,
porque não há ninguém que me desperta a atenção - murmurei baixinho.
No dia seguinte saí de casa decidido a abrir os olhos,
decidido a olhar em volta, e na primeira vez que o fiz vi-te, inteira, um anjo
deslumbrante, forte como uma Joana d’Arc e bela como a princesa enclausurada na
mais alta masmorra.
Tiveste um tal impacto em mim que tive de arranjar maneira
de falar, de estar, de conviver contigo. Tu cantavas num coro. Eu decidi
entrar, pela primeira vez olhámo-nos, pela primeira vez sorriste para mim, pela
primeira vez brincámos um com o outro como só os jovens fazem.
Ficámos cada vez mais próximos um do outro, um intervalo das
aulas sem ti era como uma eternidade de solidão… a sintonia, a cumplicidade
começava a transparecer.
Descobri que tinhas namorado. Afastei-me, lutei contra tudo
aquilo que o meu coração gritava, lutei contra tudo que eu ansiava.
O banco onde falávamos, antes habituado a um diálogo, era
agora ocupado pelo teu monólogo solitário. Passei por ti, olhaste para mim e vi
a tristeza nos teus olhos… tinham encontrado par no sofrimento dos meus.
Nesse momento percebi que não iria conseguir estar longe de
ti. Continuei a andar mas os meus olhos traíram-me, o meu coração comandava-me.
Voltamos a falar… acabaste com quem namoravas e eu, feliz, sorri
para ti.
Lembro-me do nosso primeiro beijo como se tivesse sido
ontem; é e permanecerá intemporal.
Foi um sonho durante 2 meses, ao terceiro acabámos. Éramos
crianças, acho que não havia volta a dar, como me disseste mais tarde, quando
uma relação tem pilares de areia, o mais certo é ela desabar.
Sorrimos tristes e cada um seguiu o seu caminho. Fui para a
universidade, para uma cidade longe de casa.
Não gostei do curso e abandonei-o
prematuramente, voltei para casa e a tua presença assombrava cada minuto do meu
tempo. Foram as 2 semanas mais longas da minha vida até então (pouco sabia o
que era sofrimento naquela altura). Tentei não voar para ti, mas mais uma vez
não me consegui conter. Escrevi-te uma carta; numa certa manhã deixei-a na tua
caixa de correio.
Fiquei 3 dias à espera de ouvir notícias tuas… até que
recebo uma mensagem tua. Afinal não te tinhas esquecido do “you’re my beauty
queen” e eu saltei de alegria. Voltámos a ver-nos depois de um ano e meio,
recomeçámos a falar, e numa sexta-feira 13 beijei-te.
Fomos para a mesma cidade estudar, víamo-nos todos os dias,
fazíamos tudo juntos. Chorei ao teu colo, tu choraste nos meus braços, vivemos
coisas que nunca tinha sonhado serem possíveis, compartilhamos na totalidade as
nossas vidas um com o outro.
Eras a primeira coisa que pensava quando acordava e a última
quando adormecia, lembro-me de acordar e ficar a olhar para ti (apenas e só
para te ver), abraçar-te e contigo nos meus braços voltar a adormecer.
O sonho tinha voltado e durante muito tempo foi realidade.
Era feliz, mais feliz do que qualquer homem, bastavas-me
para ser feliz, e aí residia o problema. Vivia para ti, desde que tu estivesses
bem eu também estava, se precisasses de mim eu largava tudo o que estivesse a
fazer e ia ao teu encontro, tal cavaleiro a ir ao encontro da sua princesa.
Eras o centro do meu mundo; tudo o resto era a paisagem de um retrato.
Não sei quando deixámos de ser felizes, contudo sei que não
te dei o apoio que necessitavas para continuar a amar-me como o fizeste,
absoluta e inequivocamente. Tinha demasiados fantasmas dentro de mim,
demasiadas indecisões.
Pensei tantas vezes em acabar, não era feliz e não te fazia
feliz, ambos andávamos tristes com aquilo que nos tínhamos tornado.
Deixei de estar lá, deixei de aparecer em tua casa,
deixei-te excluir-me da tua vida.
Passado 2 anos e 4 meses daquela sexta-feira 13 disseste-me
que não dava mais. O meu mundo ruiu, o meu coração tinha, no momento em que
ouvi a tua boca falar, parado.
“Porquê? Pensei que ficarias contente, afinal de contas
tinhas pensado inúmeras vezes em acabar com ela”; estava confuso…
Depois de reflectir, cheguei à conclusão que nada daquilo
que eu “queria” era verdade, era uma reacção de raiva, de incompreensão por
aquilo que nos estava a acontecer. Nunca quis acabar contigo e a verdade é que
nunca pensei que acabarias comigo. Se calhar por isso é que foi tão difícil
viver sem ti.
Ficava todos os dias no bar até meio da madrugada para poder
olhar para ti, para poder ver os olhos esbugalhados que me conquistaram. Depois
de tu saíres eu saía, metia-me no carro, fechava os olhos e alimentava-nos,
olhava para o céu e nas estrelas via-te.
Voltei para a cidade onde tudo me lembrava de ti. Fui a tua
casa, tentei uma última vez fazer-te mudar de opinião. Choraste ao ver-me,
choras-te ao ouvir-me, choras-te ao ver-me sair. Depois de sair chorei.
Tentei esquecer-te, mas como se esquece um amor? Foste a
única mulher que amei e é impossível apagar um sentimento destes da memória.
Definhei enclausurado em casa durante mais de um ano,
fechei-me dentro das minhas lembranças e do meu sofrimento, deixei de sorrir, deixei
de sair, deixei de olhar, deixei de viver. Respirava por respirar, a escuridão
era a minha luz.
Menti a toda a gente, era uma sombra de tudo aquilo que fui,
não me lembro de sorrir, lembro-me sim das incontáveis noites que adormeci a
chorar numa cama exageradamente grande para uma só pessoa, numa cama que são
duas.
Até que acordei um dia, igual a tantos outros, e disse para
mim próprio: ou fazes alguma coisa agora ou não vais conseguir sair do poço
onde estás; é agora ou nunca: VIVE! Vive por ti e por aqueles que te amam!
Mudei de faculdade, mudei de amigos, mudei de hábitos, mudei
radicalmente de vida, consegui retirar-te do meu pensamento, porque da minha
alma é impossível fazê-lo.
Já não te vejo há mais de 1 ano. Espero que sejas feliz. Do
fundo do coração espero que sejas feliz.
Há dois anos que estou sozinho, não consigo sentir interesse
verdadeiro por ninguém, não encontro olhos que me façam querer lutar por eles.
Às vezes pergunto-me se há algo de errado comigo,
convenço-me timidamente que não…
Dizem que é uma sorte encontrar o nosso verdadeiro amor…
será que é um acontecimento único na vida de uma pessoa?
Resta-me esperar que não...